sábado, 31 de janeiro de 2015

Eleições 2014 V – Terceiro Turno, última etapa (Disputa pelo comando das assembleias legislativas, da Câmara Federal e do Senado)

Amanhã, 1º/2, chega-se a última etapa das eleições de 2014, com a escolha dos nomes que comandarão pelos próximos dois anos as assembleias legislativas, a Câmara Federal e o Senado, o chamado Terceiro Turno. No Primeiro Turno foram eleitos os governadores que tiveram uma votação maior que 50% dos votos, deputados estaduais e federais e os senadores. No Segundo Turno foram eleitos o restante dos governadores e a presidente da República. As consequências da eleição destes turnos para os brasileiros estamos começando a vivenciar agora. Os nomes escolhidos quebraram o país e nós estamos pagando a conta. No Terceiro Turno já foram eleitos os nomes que comandarão pelos próximos dois anos as 5.562 câmaras municipais e amanhã serão eleitos os nomes que comandarão as assembleias legislativas, a Câmara Federal e o Senado.
                A exemplo do Primeiro e Segundo turnos que só se elegeu quem fazia parte de uma máquina (prefeitura, estado ou união) ligada a um forte esquema de corrupção (Leopoldo Meyer de São José dos Pinhais é um exemplo), no Terceiro Turno, com raríssimas exceções, só se elege quem tem o apoio do prefeito, do governador ou do presidente da República. No Paraná Ratinho Junior e Traiano se lançaram candidatos a presidentes da Assembleia Legislativa, mas somente Traiano era o preferido de Richa. Ratinho foi descartado pelo governador e retirado da disputa. Como prêmio de consolação, Beto deu-lhe um cargo de secretário. Para a presidência da Câmara Federal,  Cunha e Chinália disputam o cargo, mas só Chinália é o preferido de Dilma. A presidência do Senado também tem dois candidatos Renan e Luiz Henrique, mas o preferido da presidenta é Renan.
                O que está em jogo – Do lado dos concorrentes, os gigantescos orçamentos anuais:  Câmara Federal: 4,5 bilhões de reais; Senado 3 bilhões e  Assembleia  do Paraná 1,4 bilhões (3,5% do orçamento do estado). Os gastos dos candidatos a presidentes da Câmara Federal foram imensos e, sem dúvidas, bancados pela Casa, com o nosso dinheiro. Os dois candidatos visitaram todos os governadores pedindo apoio para convencerem suas bancadas a votarem neles. No Paraná, cada candidato visitou o governador duas vezes em janeiro. Do lado dos governadores, e da Dilma, terem as assembleias legislativos e o Congresso a seus pés para aprovarem tudo o que querem e não serem fiscalizados. No Paraná, por conta deste jogo, quem ganhou foi o suplente do Ratinho, que embolsou em janeiro 104 mil e cem reais, sem trabalhar (RS 26.l00,00 de salário e RS 78.000,00 de verba de gabinete).

                No país das eleições – Nem bem terminou a eleição de 2014, já começaram surgir nomes para disputarem  as eleições de 2016 e 2018. Setim, Rocha Loures e Silvio Monteiro para prefeito de São José dos Pinhais; Requião filho, Requião pai, Ratinho, Ducci e Fruet  para prefeito de Curitiba; Rossoni e Álvaro Dias para governador e Lula para presidente. E nós só continuaremos pagando as contas. 

domingo, 14 de dezembro de 2014

Eleições 2014 IV: Setim perde a disputa pela presidência da Câmara

Ela primeira vez o prefeito não consegue eleger o presidente da Câmara, deixando de ter o Legislativo  Municipal de cócoras, a serviço de seus interesses. Seu candidato, contrariando todas as especulações e expectativas, foi derrotado fragorosamente por 8 votos contra 13. Agora seus assessores correm atrás do prejuízo, tentando identificar os vereadores ou vereadoras que roeram a corda. A final, nas suas contas o candidato tinha como certo 11 votos que, na votação minguaram para 8. Seria uma vitória apertada de apenas 1 voto, porem  suficiente para Setim continuar mandando e desmandando na Câmara.
Como se trata de uma contagem feita com base numa compra e venda de votos, a vitória era só uma questão de contar os votos. Segundo Alberto Nogueira, do Blog do Bronca, Setim reservou 300 cargos comissionados para negociar com os vereadores e vereadoras a compra de votos. Caso cada voto fosse cotado a 15 cargos e cada ocupante do cargo tivesse de dar mil reais por mês para o vereador ou vereadora que o indicou, cada vereador ou vereadora teria um ganho extra  de R$ 15 mil por mês ou R$ 180 mil em um ano, uma quantia difícil de ser recusada pela classe política.  Daí a caçada aos traidores ou traidoras.
A vitória era tão certa que o jornal Correio de Notícias, cujo proprietário ocupou cargo de relevância no governo de Setim, em sua edição de 10/12, um dia antes da eleição, antecipo-se em assegurar que Assis, o candidato do prefeito,  era a bola da vez. Não era, como reconheceu na edição de sexta feira, 12, noticiando na página 3 a reeleição do adversário de Setim, Sylvio Monteiro. Mesmo assim cometeu mais uma gafe dizendo que Sylvio foi eleito em 2013 com 2372 votos pelo Partido Solidariedade, quando na verdade foi eleito em 2012 pelo DEM. Em 2013 foi criado o Solidariedade, em  19 de outubro daquele ano.
E  Beto Richa vai eleger o presidente da Assembleia Legislativa? Leia no próximo capítulo da série eleições 2014.     
                                                                                                              SJP/PR, 14 de dezembro de 2014
                                                                                                              Antonio Pereira dos Santos

                

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Eleições 2014 III Terceiro turno: disputa do comando das câmaras municipais, das Assembleias Legislativas e do Congresso Nacional

Nem bem terminou a batalha campal do primeiro e segundo turno, que elegeu   governadores, deputados, senadores e presidente da república, teve início a campanha do terceiro turno para eleger os nomes que vão comandar as 5.562 câmaras municipais, as 26 assembleias legislativas, a Câmara Federal e o Senado.  A exemplo do primeiro e segundo turno que só se elege quem se encosta numa máquina, alimentada por uma esquema de corrupção (Leopoldo Meyer que o diga), no terceiro turno só é eleito quem tem a aprovação do prefeito, do governador e do presidente da república.
                Em São José dos Pinhais, no governo do atual prefeito, em terceiro mandato, até agora, só se elegeu presidente da Câmara  quem teve a aprovação dele e quem se rebelou contra ele,  se deu mal. Karam que se lançou candidato a prefeito  acabou acusado de ter metido a mão  no dinheiro da Câmara, foi condenado,  ficou inelegível e virou Ficha Suja. Cezar Franco que se lançou vice de Karam, teve de ir embora do município e Assis que tentou ser vice de Ivan, perdeu a presidência do partido e da Câmara para Sílvio Monteiro, o escolhido do prefeito,  que agora ele quer derrubá-lo para reconduzir Assis.
                Até ontem a candidata do prefeito era a vereadora Nina Singer. Hoje, segundo o jornal Correio de Notícias, o candidato é Assis, o homem de confiança de Setim, conforme nota do jornal Tribuna de São José. Mas que confiança boba é esta, se Setim quase perdeu a última eleição por causa, justamente, de Assis?  Amanhã, quinta feira, 11, é a eleição. Será que Assis que Setim derrubou da presidência do partido e da  Câmara, será capaz de ser o seu candidato? Será que os vereadores e vereadores que votaram em Silvio para derrubar Assis, serão capazes de votarem em Assis?  E Setim não tem escrúpulo nenhum?
                                                                                                             SJP/PR, 10 de dezembro de 2014

                                                                                                                       Antonio Pereira dos Santos

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Eleições 2014 II – Campanha para presidente entra na reta final sem ter apresentando medidas de solução para os problemas brasileiros

 No meio de uma guerra de ataques, denúncias e mentiras, a campanha entre na última semana falando de mudanças, de um Brasil melhor, de governo novo, de novas ideias e de um novo Brasil que vai nascer das urnas, porém sem  dar esperança que os graves e grandes problemas brasileiros serão resolvidos, porque a abordagem dos mesmos ficou apenas no terreno das críticas e  da velha e surrada promessa “que vou melhorar”,” que vou dar um jeito”, prometendo medidas pontuais, tais como “Mais Especialidades Médicas”, “Consultórios Populares” e mais dinheiro, sem nenhuma garantia que será gasto naquilo que foi prometido.
                Na tentativa  de quebrar este ciclo político de não resolver os problemas e de contrariar a lógica natural de fazer as coisas, decidi fazer ao candidato Aécio e a candidata Dilma  as seguintes indagações:
                Indagação 1 “Saúde” – Quanto o país precisa gastar por ano para dar uma saúde de qualidade  aos brasileiros, conforme estabelece a Constituição? Discriminar este gasto por enfermidade, por faixa etária e por procedimentos. O que é de responsabilidade da união, dos estados e dos municípios? Quantos leitos, consultas, exames e cirurgias são demandadas por ano, pela população? Para quantos habitantes deve ter um posto de saúde e quantos funcionários, discriminando por função, deve ter um posto? Sem estas informações é impossível elaborar um Política Nacional de Saúde. Nem Dilma, nem Aécio passaram estas informações para o eleitor.
                Indagação 2 “Segurança” – Como acabar com a violência que toma conta do país? Como proteger os comerciantes em seus estabelecimentos, correntistas na saída de bancos, pedestres nas ruas, usuários de ônibus urbanos, estaduais, interestaduais e internacionais,condutores de veículos, motoristas de caminhões no transporte de cargas, as  famílias em suas residências e os produtores rurais em suas propriedades? Quanto custaria isto? Nem Dilma, nem Aécio deram esta explicação ao eleitor.
                Indagação 3 “Educação” – Como conseguir que os alunos da rede pública se concentrem em sala de aula, um quesito imprescindível para se ter um ensino de qualidade. Nem Dilma, nem Aécio trataram deste assunto.
                Indagação 4 “Economia” – Como acabar com o desemprego e a inflação que sempre existiram e aumentar o PIB? Informar a quantidade de pessoas que cada setor da economia emprega e quantas poderá empregar, a inflação de cada setor e como ele poderá reduzir e a participação de cada um deles na formação do PIB e como poderá aumentar. Como acabar com a miséria absoluta, que segundo o jornal Folha de Londrina, 16 milhões de brasileiros vivem nesta situação? Nem Dilma, nem Aécio disseram como.
                 


Indagação 5 “Meio Ambiente” –  Poluição: como acabar com a poluição da água, do solo e do ar? Impedir o lançamento de poluentes nas nascentes, nos rios e nos oceanos. Impedir o lançamento no solo de materiais tóxicos e de agrotóxicos, que matam milhares de brasileiros por ano de câncer,  e de poluentes das indústrias e dos carros no ar. A espécie humana poderá ser extinta da face da terra se os carros continuarem utilizando petróleo? Em quantos anos isto poderá acontecer? Nem Dilma, nem Aécio falaram deste grave problema.
Ocupações irregulares: como impedir a ocupação de nascentes que provocam sua extinção, de rios, que tornaram as cidades inviáveis pelos alagamentos, quando ocorre temporais e das encostas que provocam desmoronamentos, matando pessoas?  Como fazer a desocupação destas áreas? Nem Dilma, nem Aécio demonstraram vontade de resolver este grave problema.
Água e energia: como evitar o desperdício e reduzir o consumo de água e de energia elétrica pelo poder público e pela população? Informar quantos bilhões de litros e de kWh são consumidos por dia, qual o potencial de fornecimento de água e de geração de energia elétrica,  as fontes geradoras de energia e capacidade de cada uma, por região, estados e municípios. Informar se existem estudos alertando para o risco de escassez de água e de energia elétrica, por região, estados e municípios? Quais partidos governam esses estados e municípios?  Qual a responsabilidade do governo federal sobre a água? Qual a capacidade de geração de energia elétrica pelo vento e porque o governo federal aposta tudo no Pré Sal, uma energia altamente poluente? Nem Dilma, nem Aécio demonstraram esta preocupação.
Saúde dos animais: como ajudar a população a cuidar da saúde e  bem estar dos animais, sem prejudicar veterinários(as) e clínicas? Os brasileiros, em sua imensa maioria, não têm dinheiro para tratar dos animais que são acidentados e adoecem. O mesmo acontece com cavalos de catadores de lixo que são utilizados para tracionar carroças com pneus mal calibrados, transportando duas ou mais pessoas, além dos materiais e, que vão definhando até morrerem, porque os catadores não ganham nem pra eles, que dirá para comprar alimentos para os animais. São cenas de cortar o coração, porque eles sofrem igual a gente. Nem Dilma, nem Aécio demonstraram esta sensibilidade.
Indagação 6 “Justiça” – Como fazer os políticos respeitarem e cumprirem as leis dos homens  e as leis divinas  e deixarem de manipular a opinião do povo brasileiro com dinheiro do próprio povo,  contrariando o que Deus quer nós?
Qual a esperança de se resolver os problemas brasileiros? Será mais uma eleição perdida.
                             Antonio Pereira dos Santos                                                SJP/PR, 23 Out 2014
Esta matéria foi publicada no blog antoniopereirajornalista.blogspot.com e encaminhado cópias para a ex candidata Marina Silva e para o debate da Globo, de amanhã.                                     


sábado, 4 de outubro de 2014

Eleições 2014 – Campanha mais cara da história, na reta final para deixar tudo como está


                Segundo um levantamento obtido no banco de dados do Tribunal  Superior Eleitoral (TSE),os candidatos e candidatas que disputam estas eleições, em todo o Brasil, vão gastar 71 bilhões de reais, a eleição mais cara da história (jornal Correio Paranaense, de 2/9, página 4). Com este valor seria possível bancar três Copas do Mundo, levando em consideração os valores divulgados pelo governo federal em maio, cobrir  as despesas com salários dos 594 deputados federais e 81 senadores por 70 anos e pagar durante 6 anos as 50 milhões de pessoas que recebem o Bolsa Família.
Este  valor, entretanto, é apenas uma parte do que  vão gastar, porque  o grosso dos  gastos serão bancados pelos cofres públicos, que  não são  declarados.  Gastos dos candidatos da máquina, como  telefone,   xerox,  Internet,  correios,  autopromoção, combustível, entre outros,  serão pagos  por prefeituras, governos dos estados, governo federal e estatais.  Segundo o site do jornal O Globo, os deputados do Paraná em Brasília gastaram com autopropaganda, de janeiro a maio deste ano eleitoral, 141% a mais que no mesmo período em 2013. R$ 1,18milhão contra R$ 492 mil, que não serão declarados.
Em São José dos Pinhais as campanhas mais caras foram as  dos candidatos Francisco Bühre, Leopoldo Meyer e Toninho da Farmácia, ambos apoiados pelo prefeito Setim, chefe da máquina municipal. Carros de som, cavaletes, veículos plotados e panfletos destes candidatos dominaram a campanha   no município, enquanto  os outros (Lúcia Stoco, Ailton Feneme, Leandro da Ninfer, Jairo Melo e Marcos da Vidofer), que não contaram com este apoio não puderam fizer  campanha. Não se viu carros de som, cavaletes e foram raros os panfletos que chegaram nas residências. Por que será?
No estado, somente as campanhas de Beto Richa, governador do estado,  de Roberto Requião, ex-governador, apoiado por empresários do pedágio,  de Gleisi Hoffmann, apoiada por Dilma  e dos  seus aliados dominaram o cenário das eleições. Segundo comentários na cidade, o dinheiro  foi tanto que teve candidatos e candidatas que chegaram a pagar R$ 80 mil pelo apoio de cada vereador. Coincidência ou não, teve   um deles que distribuiu uma cartinha pedindo o apoio  para cinco candidatos. Este vereador pode ter embolsado R$ 400 mil. No cenário nacional só deu Dilma, Aécio e Marina.
               
                Os outros candidatos que não tiveram este apoio, passaram ao longo da campanha, praticamente desconhecidos dos brasileiros. Não tiveram dinheiro para colocar um cavalete nas ruas, divulgar suas propostas e colar um adesivo nos carros.  Espremidos no horário político, mal apenas puderam falar o seu número e o nome. Os debates na televisão, uma boa oportunidade para se tornarem conhecidos  e apresentarem suas propostas, alguns deles foi barrados de participar.  Esta discriminação, inacreditavelmente,  aconteceu até  no debate da Rede Vida,  promovido  pelos bispos do Brasil, em 16/9,



Mentiras e enganação - Neste período o eleitor foi bombardeado  pelos meios de comunicação, pelos correios e pela panfletagem das ruas e residências, pela propaganda maciça destes candidatos.  Por onde se movimentou ele esteve sitiado por esta propaganda enganosa, sem esperança de mudar o que  está aí e mentirosa.  Atolada até o pescoço no mar de lama que tem sido o governo do PT, Dilma falou muito do combate à corrupção, dizendo que sempre teve  tolerância zero  com este câncer, mas não houve um único caso de corrupção  denunciados por ela, dos inúmeros ocorridos ao longo do seu governo.
Desde 1998 acompanho as eleições para presidente e  sempre depois de cada eleição explode um grande escândalo  envolvendo empresas doadoras de campanha. Na reeleição de Fernando Henrique Cardoso foi a vez das privatizações. FHC reforçou o caixa das empresas, refez os estoques e pagou dívidas. Segundo o livro Brasil Privatizado, o então presidente gastou mais do que recebeu com as privatizações. As denúncias foram tantas que foi proposta a criação da CPI da Corrupção, mas abafada pelas” forças políticas”, que Dilma tanto se refere,  lideradas por Aécio, na época presidente da Câmara e por Álvaro Dias do Senado.
Na primeira eleição de Lula, foi o Sindicato dos Bancários de São Paulo que quebrou. Segundo a Revista Veja tem aposentado esperando pelo apartamento que pagou até hoje. Na  reeleição, foram as empresas de publicidades de Marcos Valério, o Mensalão e na eleição de Dilma foi a Construtora Delta, intermediada por Carlinhos Cachoeira. Dilma que havia declarado   ter  R$ 46.894,12 na popança e  R$ 113.300,00 em dinheiro vivo (Folha de São Paulo de 8/5/2012, página 4) gastou R$ 160 milhões na campanha, a maior parte intermediada por Cachoeira. Ela não sabia?
Por conta desta corrupção que tomou conta do seu governo, Dilma, agora, quer fazer a Reforma Política e Lula pede para votar nos candidatos do PT para fazer esta reforma. Mas Lula e Dilma querem esta reforma? A história diz que não. Ao ser eleito em 2002 presidente do Brasil, Lula elegeu a reforma política como prioridade do seu governo e reafirmou este compromisso, defendendo o financiamento público das campanhas  em 5 de novembro de 2003 (jornal Gazeta do Povo de 6 de novembro de 2003). Deu para os deputados e senadores, segundo a Gazeta, R$ 6 bilhões de reais e até hoje a reforma não saiu do papel.
O que o poder tem que atrai tanto os políticos? – Segundo a ONG Transparência Brasil,  um senador custa mais de R$ 33 milhões por ano aos cofres públicos. O Senador Álvaro Dias custou no último mandato mais de  R$ 264 milhões. Além do salário teve direito a gastar por mês R$ 54 mil  para contratar assessores; R$ 15 mil para gastar nos estados; R$ 3.800  para  auxílio moradia; de R$ 4 mil  para cota postal;  RS 16 mil para passagens aéreas; R$ 8.500 por ano para serviços gráficos; 25 litros de combustíveis por dia e cinco publicações de jornais e revistas por dias úteis.
Um deputado federal custa aos cofres públicos R$ 6,6 milhões por ano. Leopoldo Meyer,  custou no seu primeiro mandato R$ 26 milhões e 400 mil e teve direito, além do salário, a gastar por mês R$ 60 mil para pagar assessores; R$ 15 mil para gastar nos estados; R$ 3 mil para auxílio moradia; R$ 4.268,55 para cota postal e telefônica; R$ 16 mil para passagens aéreas; R$ 6 mil para gráfica  e cinco publicações de jornais e revistas por dias úteis. Com base no site da Assembleia Legislativa,  em12 anos de mandato, Chico Bührer custou R$ 24 milhões aos cofres públicos. Álvaro, Chico e Meyer não fizeram nada.
Dia D – A manhã, 5/10, esta campanha bilionária promovida por políticos profissionais, que há anos estão no poder roubando, mentindo e enganando a população, completa três meses e o eleitor, por força do voto obrigatório, terá de ir às urnas votar para presidente, governador, senador, deputado federal e estadual. Sobre seus ombros, a responsabilidade de escolher bem, para depois não ser culpado pelos maus políticos que forem eleitos, conforme tem sido cobrado pela Justiça Eleitoral, em campanhas milionárias e pela Igreja Católica.
Trata-se de  uma missão espinhosa para o eleitor que só ouviu o lado dos políticos de carreira, empenhados em deixar tudo como está. É lamentável que os candidatos Pastor Everaldo, Levy Fidelix, Eduardo Jorge, Eymael, Ruy Pimenta, Zé Maria e Luciana Genro, que poderiam representar a mudança para a presidência da república, Bernardo Piloto, Túlio Bandeira, Rodrigo Tomazini, Geonísio Marinho e Ogier Buchi, para o governo do estado do Paraná não sejam lembrados amanhã pela maioria do eleitorado, porque não chegaram, sequer, serem conhecidos da população.


                 

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Como fazer política para se dar bem II - Chegou a hora de saber se a Lei da Ficha Limpa funciona em São José dos Pinhais


No dia 14 de novembro de 2013 o prefeito Luiz Carlos Setim sancionou a Lei da Ficha Limpa, que proíbe a nomeação, na Administração Municipal, de secretários e comissionados que tenham sido condenados por crimes contra o patrimônio Publico. O acontecimento ganhou destaque nas páginas de pequenos e grandes jornais, entre eles a Gazeta do Povo e revelou o nome  do primeiro “Ficha Suja” do município, Giovane de Souza que foi condenado pelo Tribunal de Contas do Estado, por malversação do dinheiro público (Acórdão 3764, de 18/9/2013), quando dirigiu o Hospital São José. Segundo Setim que fez a revelação, Giovane não poderia ser nomeado nem para servir cafezinho. Ele teria sido a primeira vítima da lei, nas palavras do secretário de Finanças, Pedro Setenareski.
                Setim que lutava desesperadamente para se libertar das garras afiadas de Giovane, o qual se juntara com o vereador Abelino para tomar a Secretaria da Saúde, agarrou-se à lei como tábua de salvação, mas não conseguiu ser beneficiado por ela. Para não perder a Secretaria teve de dar para ele um cargo de consultoria na Secretaria de Planejamento, segundo o secretário, bancado por Sandro Setim, filho do prefeito, com dinheiro de uma coleta mensal que faz. Segundo Dona Neide, seria com dinheiro de Sandro e dela. Como a fera não se contentou, Setim acabou tendo de dar a direção do Hospital São José, onde ele fora condenado. Pela segunda vez a lei não ajudou o prefeito. Agora está a um passo de ser declarado oficialmente secretário da Saúde, porque na prática já é.
                Dias atrás Giovane, exigiu a exoneração das pessoas nomeadas por Brasílio, para colocar em seus lugares comparsas dele. Mais uma vez Setim teve de atender e o secretário aceitou. Segundo parente de uma das vítimas, o secretário já não passa de uma figura decorativa, porque quem manda e desmanda na Secretaria é Giovane. Brasílio só permanece no cargo porque é amigo pessoal e compadre do prefeito. Será que a Lei da Ficha Limpa  não passa, também, de mais uma peça decorativa, indagou o parente? Até o presente momento não tem passado disto,   a exemplo de tantas outras leis municipais, como é notória a Lei das nascentes que determina que sejam demarcadas e cercadas todas as nascentes do município e nada está sendo feito.
                Como uma águia – Giovane de Souza adota como símbolo o broxe de uma águia, uma ave de movimentos precisos e implacáveis no ataque de suas presas. Estampado na lapela do paletó, ele costuma distribuí-lo aos participantes de cursos que promove e exibe vídeos sobre a tática de ataques da ave. Seu passado profissional mostra com clareza o emprego desta tática (Ler no final deste blog, Como fazer política para se dar bem). Natural do Rio Grande do Sul, surgiu em São José dos Pinhais, atraído pela propaganda que aqui se juntava dinheiro com as duas mãos, no final dos anos 90, entregando pão na Prefeitura e tornou-se conhecido no meio político da cidade dando palestra de auto ajuda, caindo logo nas graças de Dona Neide Setim, que lhes abriu as portas da Administração Municipal, em 1998.
                Desde então, ora por cima ora por baixo, mas ganhando mais do que perdendo, Giovane ocupa cargos na Administração Municipal e, de jogada em jogada, explorando os pontos fracos e vulneráveis, ambições e o momento político dos mandatários do município, ele participou até hoje do governo de todos os prefeitos que passaram pela Prefeitura neste período, mesmo do governo daqueles, que por um motivo ou outro foram prejudicados por ele e não queriam vê-lo na frente nem coberto de ouro, como é o caso de Ivan que  ele derrubou da direção do Hospital São José para ocupar o seu lugar e de Setim que quase perdeu a última eleição, por armações dele, levando a expulsá-lo  do seu convívio político e a jurar que do seu governo ele não participaria, que hoje é parte integrante.
As jogadas para participar destes governos são uma verdadeira obra de engenharia política. Com Ivan, um homem que não esquece facilmente o que fazem pra ele, de personalidade forte e inflexível em seus posicionamentos, Giovane levou exatos três anos, três meses e dezoitos dias, para ser nomeado seu secretário . Apostando desde o início que o então prefeito, por seu temperamento e jeito de fazer as coisas, necessitaria negociar muito apoio político para dar sustentabilidade ao seu governo e  se reeleger, Giovane buscou aproximação com a Câmara Municipal, por onde passa a governabilidade do município e as eleições dos prefeitos, explorando o momento político, em que a maioria dos vereadores estava descontente com a eleição dele, apelando novamente para as palestras.
Dando cursos para lideranças de bairros e Ongs e para funcionários da Câmara, a exemplo da Dona Neide, Giovani conquistou rapidamente a admiração dos vereadores(as), uma jogada para virar diretor Geral do Legislativo Municipal, cargo muito próximo, quase íntimo, do presidente da Casa, onde planejaria as jogadas para chegar à Administração de Ivan. Se para se aproximar da Câmara, ele explorou o momento político da maioria dos vereadores, para se aproximar da Prefeitura, explorou a ambição do vereador Assis, então presidente do Legislativo, de virar vice-prefeito, cargo que conquistaria, apoiando Ivan. Depois de muita conversa, Assis mordeu a isca deixando Giovane livre para armar a  jogada definitiva que fisgaria Ivan, elegendo Assis presidente do PSDB para negociar depois o partido com ele.
Com Setim, fragilizado pelo tempo implacável e por processos judiciais, que já lhe custaram a perda do mandato, só continuando no poder por força de liminar, Giovane não precisou de todo este tempo. Foram apenas  dez meses e quinze dias para que Setim  contratasse num cargo de consultaria, na Secretaria de Planejamento. Como tinha sido seu chefe Gabinete, Giovane conhecia seus pontos fracos, entre eles a dificuldade que o prefeito tem de dar informações sobre sua administração, sendo este o ponto que explorou desta vez,  viabilizando,  com contratação pelo vereador Abelino para ser seu assessor e convencendo-o a bombardear Setim com uma saraivada de requerimentos secretos, num total de 882, segundo o próprio vereador, na prestação de contas que fez na penúltima sessão de 2013.
Criatividade não vai além da águia – No poder, Giovane não teve a mesma criatividade, robustamente demonstrada na caça dele. Como secretário do Planejamento, a prioridade era elaborar o Planejamento Estratégico do município. Percorreu todo o município, ouviu a população, conheceu as demandas de cada comunidade e torrou muito  dinheiro, numa parceria com a PUC/Paraná, que cobra até o ar que se respira dentro dela. Por uma hora de apresentação da Família Schulman, para falar da sua aventura pelos oceanos do mundo e motivar os participantes do projeto a serem persistentes e não abandoná-lo, Giovane pagou R$ 17.220,00, fora estadias e deslocamentos.  Foi um gasto inútil que  não serviu nem para sensibiliza-lo. Na fase de cruzamento das informações abandonou o projeto.
 Além dos gastos, ele não teve criatividade para racionalizar os trabalhos, evitando perda de tempo em discussões desnecessárias.  É o caso do Meio Ambiente que possui um conjunto de leis delimitando com exatidão,  as áreas que podem e as que não podem ser ocupadas  e da coleta das informações ouvindo a população, que poderiam ser fornecidas pela Câmara Municipal, em mais de três mil indicações sobre todos os problemas do município, que os Vereadores(as) fazem todos os anos. Por meio delas pode-se identificar com precisão as causas  desses problemas, como por exemplo a das roçadas, que  está na licitação. Os gastos foram programados para as ruas serem roçadas quatro vezes por ano. Foi uma herança maldita que o atual secretário do Meio Ambiente, Gastão Vosgerau, herdou.
Giovane também não teve criatividade para resolver os problemas da Saúde, há anos mergulhada no caos, como mostram fotos tiradas no final da sua gestão, quando foi secretário. Como secretário de Transportes não conseguiu dar vida à Secretaria, hoje desativada. Agora, com diretor, novamente, do Hospital São José,  as reclamações de mau atendimento tem sido  a marca da sua gestão. Elas não vêm a público porque existem vereadores que o protegem, visando tirar proveito político. É o caso do vereador Luiz Monteiro, um especialista em bajular ocupantes de cargos estratégicos na Prefeitura. Recentemente falou de mais uma vista que fez ao Hospital. Disse que estava lotado mas que as pessoas estavam felizes e em paz, enquanto um pai se indignava por não ter ninguém para atender sua filha.    
Quem cai na conversa perde – Leopoldo Meyer que embarcou na canoa furada do planejamento estratégico, não conseguiu se reeleger, porque as pessoas estão atrás de resultados. O mesmo aconteceu com Ivan que apostou num apoio arranjado por Giovane que não aconteceu. Quem mais perdeu com ele foi o vereador Assis,  que sonhou virar vice prefeito num passe de mágica, e acabou perdendo a presidência do PSDB e da Câmara. O vereador Abelino, que emprestou o nome para Giovane pressionar Setim, vive uma situação lastimável. Autor da Lei da Transparência, uma armação para explorar o ponto fraco do prefeito, agora é ele que não consegue dar transparência dos seus atos. Há quase um ano aguarda-se cópias dos 882 protocolos secretos, solicitadas através do ofício APS-82/2013.   
A Lei é considera uma inovação – Na opinião do juiz eleitoral Marlon Reis, diretor do Movimento de Combate à Corrupção eleitoral, mesmo com brechas, a Lei da Ficha Limpa é um avanço sem precedentes (matéria publicada no jornal Metrópole, página 3, de 27/8/2014). O vereador Marcelo ampliou o alcance da Lei para secretários e comissionados municipais, que não poderão mais ser nomeados pela Administração Municipal, caso tenham sido condenados por crimes contra o patrimônio público. Até agora a Lei  não cumpriu o seu papel, como é exemplo o caso de Giovane de Souza, condenado pelo Tribunal de Contas do Estado, que o prefeito Setim tentou se valer dela para dar um piparote no seu ex-protegido, e não conseguiu. Agora chegou a vez do vereador Marcelo agir, exigindo a exoneração de Giovane.
Pode parecer uma maldade, mas a lei precisa ser cumprida para se fazer justiça com as pessoas que ele exonerou, sem dó e sem piedade, ao longo das suas jogadas diabólicas. Aguardo posicionamento formal no prazo máximo de 15 dias.

Ao
Vereador Marcelo
Câmara Municipal

                                                                                                                             Antonio Pereira dos Santos
                                                                                                                                                             Setembro/2014

terça-feira, 10 de junho de 2014

Se depender da infraestrutura do Hospital São José para viver , o paciente morre.

Na sessão da Câmara da última terça feira, 3/6, a vereadora Lúcia Stoco fez uso da palavra, em explicação pessoal, para elogiar o trabalho que vem fazendo o vice-presidente da Casa, vereador Ido, que de fato é merecedor. Ido questiona três licitações, duas, na sua opinião, por superfaturamento, e uma que ele considera desnecessária, por se tratar da aquisição de roçadeiras para a Secretaria de Saúde, quando existe empresas contratadas para a realização de serviços de roçadas nos prédios públicos municipais.
                Esta aquisição, aparentemente desnecessária, mexeu com a sensibilidade da vereadora que, no quarto mandato, conhece de perto o drama de quem depende  da saúde pública do município. Recentemente ela viveu na pele da sua família este drama. Uma prima da vereadora precisou de sangue para não perder a vida e o Hospital São José não tinha para socorrê-la, por inexistência de um banco de sangue. Da teoria que “em boca fechada não entra mosca”, a vereadora não resistiu e soltou a língua.
                Disse que com o dinheiro que vai ser gasto com a aquisição de roçadeiras  desnecessárias, a Secretaria deveria construir um banco de sangue. Comentou o drama sofrido pela sua prima e encerrou a fala. Pessoalmente, explicou que o hospital que mencionou é o São José, mas pediu para não escrever a respeito, porque o diretor do hospital chegou a mostrar até o local onde deve ser construído um banco de sangue. A vereadora só não se tocou que ele já dirigiu este hospital e não construiu.
                Especialista em fazer política para se dar bem (ler matéria no final deste blog), este cidadão, por onde passou, não deixou nada de bom. Apenas sugou o néctar do poder e quando diretor do referido hospital ainda se envolveu em gestão fraudulenta de convênios e acabou condenado pelo Tribunal de Contas do Estado a devolver dinheiro, virando “Ficha Suja”, argumento que Setim usou para se defender das pressões do promotor público Divonzir Borges, quando este  lutava para que o referido fosse secretário da Saúde.
                                                                                                              Antonio Pereira dos Santos
                                                                                                                                             Junho/2014